Podcast das Lutas pela Terra

O Podcast das Lutas pela Terra dá voz àqueles que lutam pelo acesso à terra e defendem os bens comuns.
Em torno de um grande tema por episódio, o podcast questiona e promove o diálogo entre organizações camponesas, movimentos sociais, de proteção do meio ambiente ou de defesa dos bens comuns, mas também pesquisadores e associações de consumidores. Essas trocas entre atores de todos os cantos do mundo nos permitem compreender melhor os desafios locais e internacionais, os sucessos e as dificuldades dessas mobilizações, que têm em comum o trabalho em prol de uma sociedade baseada na agricultura camponesa e feminista, em harmonia com os ecossistemas.
Você pode ouvir todos os episódios nesta página e em diferentes plataformas:
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Temporada 1
– Episódio 1 – A apropriação de terras
Este primeiro episódio do Podcast das Lutas pela Terra é dedicado ao fenômeno da apropriação de terras, a tomada de posse de terras por empresas ou Estados em detrimento das comunidades e da sociedade como um todo.
Este primeiro episódio reúne três depoimentos para compreender melhor esse fenômeno e suas consequências dramáticas.
- Mamy Rakotondrainibe, do coletivo TANY, um grupo de pessoas que luta contra a apropriação de terras em Madagascar. Ela nos ajudou a entender as origens históricas da apropriação de terras, da qual a população malgaxe é vítima.
- Ange-David Baimey, responsável pelo programa África na GRAIN, uma ONG que recenseia casos de acaparamento, os analisa e presta apoio concreto às populações vítimas. Ele permitiu-nos avaliar a dimensão do acaparamento de terras, particularmente em África.
- Mathieu Perdriault, coordenador da AGTER, uma associação de direito francês que coordena uma rede mundial de reflexão e propostas sobre a melhoria da governança da terra e dos recursos naturais, que foi a iniciativa do FMAT 2016 e que hoje facilita, com o CERAI, o processo do FLT. Sua intervenção nos permitiu compreender o funcionamento de formas mais insidiosas de acaparamento, como a financeirização e a concentração fundiária.
Esperamos que este podcast lhe permita aprender mais sobre esta importante questão e desejamos-lhe uma boa audição.
– Episódio 2 – Bens comuns e comunidades
Estamos em um contexto global em que a crescente concentração de terras e recursos naturais por meio de acaparação e apropriação é uma realidade cada vez mais tangível. As questões ambientais e sociais tornam-se cada vez mais urgentes e é essencial repensar nossa relação com esses bens comuns que nos dizem respeito a todos, como a terra, os recursos naturais e os ecossistemas. As comunidades locais parecem estar em melhor posição para colocar a solidariedade no centro dessas preocupações e levar melhor em conta as interdependências entre os seres humanos e com a natureza. Para abordar este tema, optamos por contornar a questão muito debatida da definição precisa dos bens comuns, concentrando-nos nos usos e práticas concretas, a fim de compreender como as comunidades podem se organizar para gerenciá-los coletivamente e de forma sustentável. Para isso, damos a palavra a três atrizes de destaque em um episódio que combina iniciativas inspiradoras, experiências militantes e filosofia.
Você poderá ouvir: Fanny Métrat, membro do sindicato camponês francês Confédération Paysanne, Aïchata Koné, da UACDDDD, um agrupamento de associações malianas que lutam pelo desenvolvimento e pela defesa dos direitos dos mais desfavorecidos, e Sophie Gosselin, pesquisadora em filosofia que trabalha sobre as consequências filosóficas da crise ecológica e especialista em bens comuns.
Desejamos-lhe uma boa audição e agradecemos calorosamente aos muitos voluntários pelas traduções de áudio e pela música!
– Episódio 3: Acesso à água
O acesso à água é um desafio importante: 85% das zonas úmidas desapareceram, as mudanças climáticas e a exploração excessiva dos recursos hídricos ameaçam cerca de 2 bilhões de habitantes urbanos até 2050.
Diante dessa crise, as populações rurais são as primeiras afetadas. A apropriação da água por atores agroindustriais e governamentais compromete sua sobrevivência. No entanto, as práticas tradicionais e agroecológicas oferecem soluções sustentáveis, reduzindo a poluição e permitindo a regeneração dos solos e dos lençóis freáticos.
Neste episódio, exploramos essas questões com Anne-Morwenn Pastier, hidróloga e membro do coletivo Bassines Non Merci, Massa Koné, secretário-geral da Convergência Global das Lutas pela Terra e pela Água na África Ocidental, e Jean-Louis Couture, engenheiro agrônomo especializado em gestão de recursos naturais. Eles destacarão, em particular, a importância de estruturar as lutas sociais e comunitárias e as maneiras de repensar a gestão coletiva da água.
– Episódio 4: Alimentação, conflitos entre moradores urbanos em situação de precariedade e agricultores familiares
É com entusiasmo que apresentamos o quarto episódio do Podcast das Lutas pela Terra! Este podcast em quatro idiomas dá voz àqueles que, dia após dia, lutam para defender a terra e os bens comuns. Neste episódio, mergulhamos no coração das lutas pelo acesso a uma alimentação saudável, sustentável e justa, explorando as convergências essenciais entre os pequenos produtores e as associações de consumidores.
Temos a honra de receber três convidados que nos darão uma visão geral dessas questões: Philip Seufert, membro da equipe da FIAN International, uma ONG essencial na luta pelo direito à alimentação e nutrição através da defesa dos direitos humanos; Boris Tavernier, fundador e delegado geral da VRAC, uma rede francesa que está revolucionando as compras coletivas; e Michele Russo, produtor de figos da Índia na Sicília e membro do Consórcio Le Galline Felici, um modelo de agricultura solidária e respeitosa da natureza.
Este episódio aborda uma realidade alarmante: quase 10% da população mundial estava subalimentada em 2020, e um terço não tinha acesso a uma alimentação adequada. Como chegamos a esse ponto? De que forma a apropriação de terras, a concentração de recursos e o crescimento da agroindústria agravam essa situação? Juntos, destacamos os mecanismos de opressão que ameaçam tanto os direitos humanos quanto o meio ambiente.
No entanto, ainda há esperança. A agricultura camponesa, que alimenta entre 70% e 80% da população mundial, revela-se uma solução crucial para os desafios atuais. Ela preserva a biodiversidade, mantém os ciclos naturais e garante a transmissão de conhecimentos ancestrais. Mas esse setor vital está ele próprio ameaçado, com 80% dos camponeses entre os mais afetados pela fome e 70% vivendo em extrema pobreza.
Nesse contexto, a resistência se organiza. A VRAC e a Le Galline Felici estão na linha de frente da luta por uma democracia alimentar. Ao fortalecer os laços entre produtores e consumidores, elas trabalham por uma alimentação sustentável, local e justa. Esse modelo alimentar, baseado na solidariedade e no respeito aos ciclos naturais, é uma resposta poderosa aos excessos da agroindústria.
Neste episódio, destacamos essas iniciativas inspiradoras que abrem caminho para um futuro em que a alimentação volta a ser um bem comum, a serviço das comunidades e da natureza.
Convidamos você a ouvir este episódio, compartilhá-lo com seus amigos e continuar se mobilizando para defender os bens comuns e os direitos humanos. Juntos, podemos construir sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.
– Episódio 5: Jovens em luta pela terra
Neste episódio, abordamos uma questão crucial para o futuro da agricultura e do nosso planeta: o acesso dos jovens à terra. Temos a honra de receber Jean-Mathieu Thévenot, representante dos jovens europeus da Via Campesina Europa, um membro da Youth For Climate France, bem como Andrea Toro, Alfredo Guamaní e Gregory Jiménez da Rede de Jovens do Choco Andino no Equador. A agricultura mundial enfrenta uma crise de renovação geracional.
Na Europa, por exemplo, a idade média dos agricultores aproxima-se dos 60 anos. Os jovens têm cada vez mais dificuldade em assumir as explorações agrícolas familiares ou em estabelecer-se como agricultores. As razões são múltiplas: a estrutura dos mercados agrícolas e fundiários, as margens reduzidas deixadas pelos distribuidores, a concentração de terras e a apropriação em benefício da agroindústria. Este contexto leva à desestruturação das comunidades rurais e ao desaparecimento dos conhecimentos e práticas agrícolas tradicionais. Assim, muitos jovens abandonam o campo para se mudarem para as cidades, muitas vezes sem encontrar melhores condições de vida.
Sem uma renovação das gerações, a agricultura camponesa não poderá se manter. Isso constitui uma ameaça não apenas para as comunidades rurais, mas também para toda a população mundial, que depende em grande parte dessa agricultura para sua alimentação. Além disso, com 40% dos empregos mundiais ligados à agricultura, a dificuldade dos jovens em ingressar nesse setor pode levar à perda de 3 bilhões de empregos nas próximas duas décadas, causando um grande impacto em nossas sociedades. A agricultura camponesa também desempenha um papel fundamental na proteção do meio ambiente. Sua lógica de transmissão intergeracional e manutenção da fertilidade do solo é essencial para o equilíbrio climático e a biodiversidade, ao contrário da agricultura agroindustrial e sua orientação para a exportação, que põe em risco o meio ambiente, o solo e a saúde humana.
Neste podcast, queremos mostrar como os jovens se organizam para enfrentar esses desafios. Cada um em seu território, suas lutas estão profundamente ligadas por preocupações ecológicas, camponesas e sociais comuns. A convergência desses movimentos é essencial para garantir um futuro em que os jovens tenham acesso à terra e aos recursos naturais, e onde a agricultura camponesa continue a prosperar. Os jovens camponeses da Via Campesina Europa lutam por um melhor acesso à terra e pela preservação da agricultura camponesa, único modelo agrícola viável para o futuro. Os ativistas da Youth For Climate, por sua vez, se opõem a projetos destrutivos para o meio ambiente e apoiam os camponeses em sua luta para proteger as terras agrícolas. Eles apelam para uma convergência das lutas entre ativistas urbanos e camponeses por um futuro comum sustentável. No plano social, iniciativas como as da Rede de Jovens do Choco Andino, no Equador, mostram a importância de revitalizar os territórios rurais. Essa rede combina a luta contra projetos mineradores destrutivos e a criação de eventos culturais e educacionais, a fim de tornar a vida rural desejável e viável.
É, portanto, urgente reforçar as alianças entre movimentos camponeses, ecológicos e cidadãos, em particular em torno da questão do acesso dos jovens à terra. É uma questão de sobrevivência para a agricultura, para as comunidades rurais e para todo o nosso planeta. Através deste episódio, o Podcast das Lutas pela Terra pretende, à sua escala, traçar caminhos para alcançar essa necessária convergência.
– Episódio 6: Olhares cruzados sobre as lutas feministas e agroecológicas
Neste episódio do podcast Les Luttes pour la Terre(As lutas pela terra), exploramos uma questão frequentemente tratada de forma injusta como um assunto desconectado das outras lutas que abordamos neste podcast: o acesso das mulheres à terra. Para falar sobre isso, três convidadas com trajetórias inspiradoras nos esclarecem sobre as lutas feministas no setor agrícola:
- Mariam Sow (Enda Pronat, Senegal): ativista pelo reconhecimento do papel das mulheres na agricultura e pela promoção de práticas agroecológicas.
- Mazé Morais (CONTAG, Brasil): coordenadora da Marcha das Margaridas, uma mobilização massiva de trabalhadoras rurais na América Latina.
- Héloïse Prévost: professora universitária de sociologia especializada em movimentos feministas agroecológicos no Brasil.
Através dos seus testemunhos, descobrimos as desigualdades sistemáticas que as mulheres enfrentam, tanto a nível legal como sociocultural: acesso limitado à propriedade, visão patriarcal das instituições agrícolas, discriminação na herança de terras e violência. Apesar destes obstáculos, movimentos e alianças feministas mobilizam-se para defender os seus direitos à terra e aos recursos naturais em todo o mundo.
Este episódio destaca as lutas coletivas essenciais para garantir a igualdade e transformar profundamente nossas sociedades. De fato, as discussões também mostram por que o acesso das mulheres à terra é fundamental para a defesa da agricultura camponesa e, portanto, constitui uma questão primordial para a proteção do meio ambiente e o acesso a uma agricultura saudável.
– Episódio 7: A luta dos sem-terra
Neste episódio do podcast Luttes pour la Terre (Lutas pela Terra), uma imersão nas questões cruciais da desigualdade fundiária e das migrações relacionadas à perda de terras. O mundo agrícola é hoje marcado por grandes desequilíbrios: 3% das explorações agrícolas possuem 50% das terras cultivadas, colocando em risco os camponeses que perdem o acesso a recursos essenciais para sua sobrevivência.
Exploramos como os fenômenos de apropriação de terras desestabilizam as populações, forçando muitas delas a migrar, muitas vezes em condições de grande precariedade. O status de sem-terra, ligado a discriminações históricas e lógicas coloniais, é destacado, com movimentos e organizações emblemáticos no Brasil, na Índia ou na França.
Para isso, recebemos:
- Ramesh Sharma, coordenador da Ekta Parishad, um movimento popular não violento na Índia, fundado em 1991. Ele luta pelos direitos das comunidades rurais e indígenas, com ênfase especial no acesso à terra, à água e aos recursos florestais.
- Idriss e Aline para a A4, uma Associação de Acolhimento na Agricultura e Artesanato, é uma organização cujo objetivo é criar uma dinâmica de acolhimento, formação, acesso ao trabalho e acompanhamento administrativo de pessoas com ou sem documentos, urbanas ou rurais, nas áreas da agricultura e do artesanato.
- Cassia Bechara, representante do Movimento dos Sem Terra (MST), uma das maiores organizações sociais do mundo que luta pela reforma agrária e pela justiça social
Este episódio nos lembra que a luta pelo acesso à terra é uma luta pela dignidade, pela justiça social e pelo reconhecimento do conhecimento das comunidades rurais e migrantes.
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